Áh, mas ela procurou…

Nesses últimos dias assistimos, estarrecidos, as notícias sobre a adolescente estuprada por cerca de 30 homens no Rio de Janeiro.

De início pensei que o estupro, a violência, o trauma e ter tido sua imagem exposta em redes sociais seria o pior que ela passaria…ledo engano, absurdamente vimos comentários culpando seus comportamentos ‘inadequados‘, suas más companhias, o fato de ser usuária de drogas (?), de ter um filho, como justificativas para o que os 30 homens fizeram com ela.

Ainda temos muito a evoluir no que tange ao respeito à mulher… ainda não entendemos que apesar das roupas, da bebedeira, dos comportamentos inadequados, quando uma mulher diz não, é não mesmo e nada pode justificar a violência do estupro. Sim, estupro. Violência sexual e crime.

Estamos tão acostumados a essa violência, que custamos a entender que dizer que uma menina/adolescente de 15 ou 16 anos quis ter relações sexuais com um adulto é abuso sexual também, isto é: crime contra a mulher e contra a infância e adolescência.

O abuso sexual, a violência contra a mulher começa naquela cantada ‘ousada‘, naquela passada de mão ou naquela encostada ‘sem querer‘ em uma fila, ônibus e etc e termina no ato sexual violento e forçado, propriamente dito.

Quando falamos em abuso, em sexo forçado, não falamos apenas em satisfação do desejo sexual do homem, a qualquer custo, o que já seria por si só alarmante e preocupante. Falamos também em poder, na afirmação do poder pelo homem que abusa. Na crença de uma superioridade e de um poder de satisfação de suas vontades, à custa da ‘menos importante‘, da mulher e de seu desejo.

Precisamos discutir amplamente essa sobreposição de poder, essa idéia de que a vontade do homem prevalece sempre. Precisamos ensinar nossas crianças a respeitarem-se mutuamente. A respeitarem os nãos que disserem. A conviverem de maneira igualitária e pacífica, tendo o respeito como a base dos relacionamentos.

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