Dizer não: um ato de amor incondicional

A ideia para a coluna dessa semana surgiu de uma conversa com uma colega Psicóloga. Durante a conversa ela me dizia que precisávamos trabalhar no sentido de conscientizarmos os pais sobre a importância do não e do estabelecimento de limites, durante o desenvolvimento da criança.

Em nossa prática clínica e em nosso dia-a-dia nos deparamos com famílias disfuncionais, que substituem o afeto e o diálogo diários por presentes, jogos, vídeo games, iPads e etc. Substituem conversas francas sobre comportamento, ética e cidadania, por exemplos (que, sim, ensinam com maestria) sobre passar por cima do outro, desrespeitar, usar poder e influência para conseguir o que se quer. Levam ao futebol, natação, inglês, ballet, vôlei, entopem a criança de atividades. Compram sorrisos, trocam refeições à mesa por lanchonetes e “fast foods” da moda… São pais que mascaram suas consciências pesadas, fingindo que acreditam que fizeram e fazem tudo de melhor e proporcionam à criança o melhor!

Áh, mas então a Psicóloga está mandando tirar dos esportes, dos idiomas, retirar lazer e coisa gostosa da vida do meu filho?!!!

Não, caríssimo, esta reflexão tem por objetivo, pensarmos juntos sobre a importância dos limites e do não na vida dos seus filhos. Sim, hoje ele é criança e suas “mancadas” por mais graves que sejam, são “mancadas” de criança. Mas serão adultos, sofrerão consequências de seus maus comportamentos, terão de aprender a duras penas. Então, por que não ensinar já?

Lá atrás, já dizia sabiamente, Aristóteles: “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces.”.

Vamos pensar juntos? É possível para todas as pessoas fazerem tudo o que quiserem? Não, seria a resposta correta, não é? Para as crianças essa premissa também se aplica, da mesma maneira. “Posso dormir 1 hora da manhã para ver um programa na TV?”, pergunta ele (a). Resposta: “Não, filho, não pode e eis as razões para tanto (explique-as com detalhes)”. Mas e se ele ficar bravo? Não há problema, quando esperamos o sim e recebemos o não, ficamos sim bravos e chateados, temos a liberdade de ficarmos de cara feia, de poucas palavras, mas se o não for mantido, iremos refletir sobre ele. Esta é a importância do não, seguido da explicação e da manutenção do mesmo!

Conforme formos compreendendo e internalizando os limites, os “nãos”, vamos construindo relacionamentos mais saudáveis, pautados pela compreensão real de que o outro existe, que nem todas as nossas vontades podem ser satisfeitas e que as regras aí estão para nos ajudar a vivermos em sociedade de maneira tranquila e pacífica.

Comece a definir com seu filho os limites para seus comportamentos, comece a mostrar a ele as razões para sua ação. Comece a elogiar o cumprimento das normas e regras e a dialogar sobre as dificuldades que ele apresentou, para descumpri-las.

Trabalhe junto com seu filho, dê-lhe as mãos e busque que ele seja uma criança coerente e com limites, respeitadora, um adolescente que exerce sua autonomia pensando e lembrando que convive em sociedade e por fim, torne-se um adulto que se comporte de forma ética, adequada, respeitosa e altruísta.

“Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Mahatma Gandhi

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