Em ação inédita, Limeira retira 14 toneladas por dia de resíduos da rede de drenagem

Foto: Adilson Silveira

Foto: Adilson Silveira


Todos os dias, o Saee (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) de Limeira retira 14 toneladas de resíduos molhados da rede de drenagem de Limeira, resultado do descarte irregular de absolutamente tudo o que se possa imaginar nas ruas, bocas de lobo e outros nas redes de água pluvial.

Esse trabalho é uma iniciativa inédita na região, que permite manter desobstruída uma rede de 8.700 bocas de lobo e 400 quilômetros de galerias, que compõem o Sistema de Drenagem de Limeira.

O serviço é feito periodicamente, em média, duas vezes por ano. Por mês passam por vistoria e limpeza em torno de 1.200 bocas de lobo e 38 km de galerias, o que evita inundações e alagamentos e danos a infraestruturas nas ruas e avenidas.

O presidente do Saae, Osmar da Silva Júnior, disse que o trabalho de limpeza e manutenção é um investimento que nenhum outro município da região faz e que protege os córregos do município, principalmente o Ribeirão Tatu e Barroca Funda dos resíduos descartados irregularmente nas redes de drenagem de águas pluviais (água da chuva), além de garantir a desobstrução do sistema.

“Esse investimento é importante porque repercute na saúde da população, sendo que os municípios que não fazem isso têm problemas graves com entupimentos e alagamentos”, diz Silva Júnior.

Muitos dos resíduos que vão para as galerias são contaminantes, conhecida como poluição difusa contendo diversos poluentes, como óleo diesel e gasolina, além disso, o acúmulo de resíduos, especialmente restos de alimentos e óleo de cozinha atraem ratos e animais peçonhentos.

Em uma ação realizada na sexta-feira, 2 de junho, na avenida dos Expedicionários, Parque Nossa Senhora das Dores, a equipe de limpeza retirou embalagens plásticas, pedaços de madeira e pedras, restos de construção civil, muita terra e lixo doméstico que entupiam a boca de lobo e já tinham comprometido a ligação com o posto de visita que fica no canteiro central da mesma via.

Trata-se de um serviço pesado e com risco de contaminação, que exige uma equipe especializada disponível todo o tempo para ações programadas e emergências pontuais.

Valdo Buzuti, diretor comercial da empresa responsável pela equipe, a Forty, disse que o trabalho é feito com equipamentos modernos fabricados no Brasil e que combinam hidrojateamento de alta pressão e um sistema de sucção de alta potência. Juntos, esses equipamentos desobstruem bocas de lobo e galerias. “A equipe que opera o sistema é treinada pelo fabricante porque os equipamentos são modernos e exigem capacitação”, diz Buzuti.

O sugador é capaz de retirar paralelepípedos e pedaços de pedras e madeiras, enquanto o jato destrói as obstruções, que podem ser inclusive de concreto. A força do jato de água é de 140 quilos por centímetro quadrado e a capacidade de sucção é de 340 m3 por minuto. O equipamento tem tubos com diâmetro de 12 ou 6 polegadas dependendo da aplicação, além de tanque de detritos de 10 metros cúbicos e tanque de água de 6 metros cúbicos instalados num caminhão, sendo que dois veículos ficam à disposição da Prefeitura de Limeira. Vale destacar que todo o trabalho é feito com a chamada água de reuso.

“Quando o tanque de detritos fica cheio, a água é drenada e volta ao tanque, além disso só utilizamos água de reuso, porque o prefeito Paulo Hadich solicitou que se economize água tratada”, declara o diretor comercial da Forty.

Manter o sistema de drenagem funcionando é uma das medidas de saúde e saneamento, que evitam a proliferação de ratos, escorpiões, baratas e mau cheiro, além de permitir que durante as chuvas ocorra o escoamento adequado da água e se evitem enchentes e inundações.

“Com exceção dos pontos de enchente por motivos topográficos, o sistema de drenagem tem capacidade para manter a cidade protegida”, diz Buzuti.

Um dos grandes problemas enfrentados para se manter a rede de drenagem municipal em ordem é a falta de consciência da população, que descarta nas bocas de lobo e no sistema de drenagem desde o lixo doméstico, até sapatos, garrafas pets, pedaços de móveis, restos de construção civil, restos de podas de árvores e de comida.




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