Faturamento das MPEs cai pelo 17º mês seguido

A demanda fraca provocou a queda de faturamento das micro e pequenas empresas (MPEs) em maio pelo 17º mês seguido, na comparação com o mesmo período de 2015. De acordo com a pesquisa Indicadores Sebrae-SP, as MPEs apresentaram resultado negativo de 9,9%, já descontada a inflação. Por setores, o pior resultado foi da indústria, com redução de 18,7%, seguida pelos serviços (-11,8%) e pelo comércio (-5,6%). Para o total do estado, o faturamento das MPEs em maio de 2016 somou R$ 47,3 bilhões.

Por outro lado, a pesquisa mostra uma perspectiva de melhora: o ritmo de queda está se tornando menos intenso nos últimos dois meses, o que está refletindo na confiança dos empreendedores. Para os próximos seis meses, a partir de junho, 29% proprietários de micro e pequenas empresas esperam melhora no faturamento (esse índice era de 18% em junho de 2015) e 52% contam com estabilidade no faturamento (esse índice era de 60% em junho de 2015).

O estudo também detectou aumento do porcentual de donos de pequenos negócios que esperam melhora na economia brasileira para os próximos seis meses: hoje eles perfazem 28%, contra 11% em junho de 2015. Os que esperam uma piora no cenário caíram de 38% em junho do ano passado para 17% em junho de 2016.

“Com os resultados negativos começando a perder a força, o empresário passa a acreditar que o pior já passou e é hora de voltar a crescer. Cabe agora ao governo restabelecer de vez a confiança perdida pela administração anterior, dando sinal verde para a retomada do crescimento”, afirma o presidente do Sebrae-SP, Paulo Skaf.

Em relação ao faturamento das MPEs de acordo com a região do Estado, a maior queda se deu na Região Metropolitana de São Paulo, com redução de 14,7% em relação ao mesmo mês de 2015. O município de São Paulo registrou queda de 13,3%, enquanto que a região do Grande ABC teve diminuição de 11,5%. Os municípios do interior apresentaram a menor redução: -4,6%. Já o pessoal ocupado nas MPEs paulistas caiu 2,1% no acumulado do ano (janeiro a maio). A folha de pagamento teve redução de 4% e o rendimento dos empregados variou negativamente em 0,1%, já descontada a inflação.

Resultado dos MEIs
A pesquisa Indicadores Sebrae-SP também levantou dados sobre o faturamento dos Microempreendedores Individuais (MEIs) paulistas. Essas empresas apresentaram queda de 18,8% nas receitas em maio de 2016, na comparação com o mesmo mês de 2015. A análise por setores mostra que o comércio sofreu as maiores perdas, com queda de 26%, seguido pelo setor de serviços, com redução de 14,2% e pela indústria (diminuição de 13,4%). O faturamento total dessas empresas no estado foi de R$ 2,3 bilhões em maio.

Os MEIs também responderam sobre suas expectativas para os próximos seis meses. Em junho, 45% dos MEIs afirmaram esperar estabilidade para o seu faturamento, contra 38% no mesmo mês de 2015. A fatia dos que esperam melhora passou de 42% para 43%, enquanto os que esperam diminuição na receita caíram de 14% em junho de 2015 para 9% em junho último. Já sobre a economia brasileira, os resultados são mais animadores: 41% dos MEIs apostam em estabilidade no nível de atividade nos próximos seis meses (eram 28% um ano antes). Os que esperam melhora para a economia pularam de 26% em junho de 2015 para 40%, e os que esperam piora caíram de 43% para 15%.

“O baixo poder de compra do consumidor tem impacto direto no faturamento dos MEIs, que geralmente são profissionais como costureiros, manicures, pedreiros e salgadeiros”, diz Bruno Caetano, diretor superintendente do Sebrae-SP. “Mas a expectativa positiva em relação ao futuro é um alento. É importante ressaltar que, num mercado competitivo como o que os MEIs atuam, quem conseguir se preparar, poderá colher os frutos quando a economia retomar o crescimento”, observa.

A pesquisa
A pesquisa Indicadores Sebrae-SP foi realizada com apoio da Fundação Seade. Foram entrevistados 1,7 mil proprietários de MPEs e 1 mil MEIs do Estado de São Paulo durante o mês de referência. No levantamento, as MPEs são definidas como empresas de comércio e serviços com até 49 empregados e empresas da indústria de transformação com até 99 empregados, com faturamento bruto anual até R$ 3,6 milhões. Os MEIs são definidos como os empreendedores registrados sob essa figura jurídica, conforme atividades permitidas pela Lei 128/2008. Os dados reais apresentados foram deflacionados pelo INPC-IBGE.

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