Jucá: nova projeção do Orçamento será entregue ao Congresso na próxima semana

Os ministérios do Planejamento e da Fazenda estão trabalhando para entregar na semana que vem ao Congresso Nacional a nova projeção de Orçamento deste ano. Em entrevista hoje (18), no Rio, após participar da abertura da 46º Assembleia da Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras para o Desenvolvimento (Alide), o ministro do Planejamento, Romero Jucá, disse acreditar que a votação poderá ocorrer até o próximo dia 30. Ele não quis, entretanto, antecipar o valor do déficit primário, que está sendo atualizado, de modo a “espelhar a realidade”. “Nós vamos avançar com firmeza, falando com consequência. Não adianta antecipar posições que, depois, não se sustentam.”

Jucá admitiu que a situação é pior do que o governo Temer imaginava, porque “recebeu uma proposta no Congresso de déficit de R$ 96 bilhões e, na verdade, o quadro é de mais dificuldades e de algumas incertezas, que não podem ainda ser dimensionadas”. No estudo que vem sendo efetuado sobre o déficit primário, deverão constar a questão da renegociação da dívida com os estados, bem como perdas com a Eletrobras, disse o ministro. Ele está confiante, porém, que o Congresso dará o respaldo necessário e fará com que as aprovações sejam feitas de acordo com o esperado. “Os ministros do Planejamento e Fazenda farão um “batimento” {comparação]” de expectativas na quinta ou sexta-feira”, adiantou Jucá. “Portanto, temos tempo ainda e faremos um levantamento minucioso da proposição que vamos apresentar.”

O ministro do Planejamento não quis entrar na discussão sobre o novo líder do governo na Câmara. “Não vou entrar na discussão interna da Câmara dos Deputados”, afirmou, acrescentando ter certeza de que os deputados e partidos políticos da Câmara chegarão a uma posição de equilíbrio e definição para um bom funcionamento da Casa. Admitiu, porém, que o caso poderá ter interface da Secretaria de Governo, chefiada por Geddel Vieira Lima, e talvez do próprio presidente Michel Temer. Negou, por outro lado, que a escolha do líder do governo possa interferir na aprovação do Orçamento.

Estados
Indagado sobre a hipótese de carência de 12 meses proposta por alguns estados para o pagamento da dívida com a União, Romero Jucá disse que a ideia é avançar na análise do problema até o final da próxima semana para começar a discutir com os estados. “É importante resolver essa questão rapidamente, para que não fique essa pendência e os estados possam se programar também”. Jucá está levantando o impacto da parte do orçamento, do gasto público. Destacou, entretanto, que enquanto o Ministério da Fazenda não se manifestar em relação a essa questão financeira, “eu não ousaria dizer se é factível ou não”.

Jucá afirmou que, do ponto de vista da política, está na mesa a busca de uma saída que dê “oxigênio, um refresco, uma condição de funcionamento aos estados, desde que não seja algo inviável para a União, que também passa por dificuldades”. Segundo o ministro, o déficit que afeta União, estados e municípios, tem de ser estruturado de forma conjunta. A proposta que está sendo elaborada busca atender aos estados, mas o ministro garantiu que não há ainda uma modelagem definida. Todas as posições e propostas dos governos estaduais serão levadas em conta.

Eletrobras
Em relação à Eletrobras, a indicação do governo é para que a estatal acelere as investigações sobre eventuais irregularidades em obras de usinas no Brasil. Sem que isso seja resolvido, a KPMG, que é a empresa contratada para fazer a auditoria do balanço, não pode dar seu aval à publicação do documento. Como a Eletrobras tem ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York, se as regras estipuladas por aquela instituição não forem cumpridas, há risco de o Brasil ser obrigado a comprar esses títulos, o que geraria um impacto nas contas do déficit do governo.

“Nós vamos trabalhar rapidamente para ter condições de apresentar um relatório de impacto e, aí sim, fechar o condicionante do balanço e resolver o problema. Nós temos pressa”. Questionado sobre quanto poderia ser o impacto da Eletrobras na projeção do déficit, Jucá indicou que “eles dizem que pode ser de R$ 15 bilhões a R$ 40 bilhões. Nós estamos definindo isso”.

O ministro disse estar confiante no retorno dos investimentos para o Brasil. “Vamos avançar e tenho certeza que o país voltará a ser atrativo para investimentos nacionais e internacionais”.

A partir de amanhã (19), o ministro do Planejamento terá reuniões internas com cada secretário para definir as providências que vão ser tomadas em cada segmento.

Você pode gostar também

Nacional

Greve dos bancários já dura 23 dias, a maior desde 2004

A greve dos bancários, que entrou hoje (28) em seu 23º dia, já é a terceira mais longa desde 2004, quando a paralisação chegou a 30 dias. Em 2013, a

Nacional

Produtos da cesta de Páscoa estão 0,36% mais caros, diz FGV

Os preços dos produtos de Páscoa subiram 0,36% em relação ao ano passado, de acordo com o Instituto Brasileiro da Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre). Apesar da alta, o

Nacional

Indicador de Confiança de pequenos empresários sobe de 37,06 para 44,72 pontos

O Indicador de Confiança (IC) dos micro e pequenos empresários dos segmentos do varejo e de serviços avançou 20,7% na comparação entre julho e o mesmo mês de 2015. Calculado

Deixe seu comentário