Odebrecht fraudou provas usadas contra Temer, afirma advogado em CPI da JBS

Odebrecht fraudou provas usadas contra Temer, afirma advogado em CPI da JBS

Em depoimento por videoconferência à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS nesta quinta-feira (30), o ex-consultor do Grupo Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, disse que documentos apresentados nas acusações que resultaram na segunda denúncia contra o presidente da República, Michel Temer foram fraudados pela Odebrecht.

Duran afirmou que uma perícia feita a pedido dele por profissionais juramentados na Espanha mostra que o sistema Droysus, utilizado pela empreiteira para pagar propina, foi manipulado e que, por isso, as provas estariam viciadas. O advogado explicou que o sistema foi bloqueado pela Operação Lava Jato em 2016 e que as provas juntadas teriam data de 2017, quando o sistema não estava mais funcionando. As mesmas provas, segundo ele, também foram apresentadas no inquérito contra o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. “Todas as provas que foram obtidas ou utilizadas a partir do Drousys, elas padecem de vício, são nulas pela movimentação, alteração e manipulações externas antes, durante e depois do bloqueio realizado pelas autoridades suíças”, afirmou.

Rodrigo Tacla Duran, que mora na Espanha, foi convidado a prestar esclarecimentos à comissão depois de acusar o advogado Carlos Zucolotto Júnior, amigo do juiz Sérgio Moro, de oferecer facilidades junto à força-tarefa da Operação Lava Jato para um acordo de delação premiada. “Eu não aceitei porque me senti constrangido”, disse o advogado, acrescentando que, no acordo, ele teria de assumir crimes que não teria cometido.

Zucolotto teria pedido, por fora, 5 milhões de dólares, em troca, reduziria a multa do acordo de delação, que não chegou a ser fechado. Ainda segundo o depoente, as mensagens entre ele e o advogado do Paraná, teriam sido trocadas pelo aplicativo Wickr, plataforma que destrói automaticamente as mensagens trocadas depois de pouco tempo. Na tentativa de comprovar a veracidade da conversa, Duran fotografou os diálogos e enviou as imagens à comissão.

Tacla Duran revelou ter recebido um conselho de um consultor da UTC para que contratasse um advogado “da panela de Curitiba” para que seu acordo fosse bem sucedido. Aos parlamentares, ele disse ainda ter interpretado esse termo como um advogado com “bom trânsito e bom acesso à força-tarefa”. Foi então que ele buscou Zucolotto para tentar firmar o acordo, e posteriormente o advogado Marlus Arns, para quem chegou a pagar honorários de 1,5 milhão de dólares, além dos impostos.

Duran foi preso em novembro de 2016 a mando do juiz Sérgio Moro, mas foi solto em janeiro deste ano.

Você pode gostar também

Política

Vereador Nilton Santos ouve a população nas ruas de Limeira

Na última segunda-feira, 2, em compromisso no Centro de Limeira, o vereador Nilton Santos foi abordado por dezenas de cidadãos que pediram, urgência, por melhorias para cidade. As reclamações, segundo

Política

Câmara começa a analisar nesta semana segunda denúncia contra Temer

Em uma semana mais curta por causa do feriado de 12 de outubro, a Câmara dos Deputados começará a análise da segunda denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra

Política

Decretos assinados por Dilma feriram a Constituição, diz relator do impeachment

Após mais de duas horas de leitura de seu parecer, favorável à continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO), relator do caso na

Deixe seu comentário