Reeducando transforma restos de placas em estruturas para projetos habitacionais

Foto: Adilson Silveira.

Foto: Adilson Silveira.


Transformar restos de placas em portões, estantes para pallets e estruturas metálicas para coberturas de moradia de famílias de baixa renda é o trabalho do reeducando M.S.A., 30, que há alguns meses trabalha na Famul (Fábrica de Mobiliário Urbano de Limeira). O rapaz é reeducando do CR (Centro de Ressocialização), mas presta serviço para a Prefeitura de Limeira por meio de um convênio, que permite que o detento em regime de semiliberdade trabalhe e até estude se preparando para a volta ao convívio social.

Interessado em construção civil, o reeducando participou de trabalhos em pintura de prédios públicos, mas foi no curso de solda, oferecido pelo Ceprosom (Centro de Promoção Social Municipal), que acabou realizando um sonho de infância.

“Desde criança, eu faço serviços voluntários na igreja e sempre quis trabalhar na área da construção civil, quando vi o curso de solda já me interessei e fui fazer”, diz A, que passou a usar as novas habilidades na própria Famul.

Ele usa os restos de metal de placas de trânsito substituídas em função de manutenção preventiva ou acidentes, na produção de outras peças, como uma estante usada na própria Famul para acomodar os pallets, além de lixeiras, estruturas para o Programa de Assistência Técnica, tais como coberturas de residências, portões entre outros.

“Quando fui preso tinha emprego com carteira assinada e esposa, mas perdi tudo, inclusive a família. Agora, vou recomeçar e o curso de solda vai me ajudar porque toda empresa precisa desse profissional”, disse com esperança.

Mesmo debaixo de roupas pesadas e com o calor intenso, a alegria de A. é nítida, assim como a esperança que deposita no trabalho e na conquista de uma vida reformulada fora do presídio. “Eu me sinto bem aqui no trabalho e acho que vou ter um bom futuro”, diz o rapaz, que conta que o tropeço com a Justiça foi resultado de uma carona para um conhecido com quem fez um negócio. Porém, ao dar a suposta carona também deu apoio a um assalto. A pena de sete anos começou em abril de 2014 no regime fechado em complexos penitenciários em Campinas, Hortolândia e, finalmente, o CR de Limeira.

Maxwell Ferreira de Campos, chefe de setor da Habitação, explicou que os reeducandos do CR trabalham com serviços gerais em obras, reformas, serviços de pintura, encanador e eletricidade, entre outros.

O gerente da Famul, José Gardinal tem atualmente sete reeducandos na equipe, que prestam serviços dentro e fora da fábrica. “Eles trabalham muito bem e sempre com respeito e boa vontade. Não temos nenhum problema ou reclamação, ao contrário, costumam até se dedicar mais porque ganham a chance de sair do regime fechado”, diz.




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