Vamos falar sobre paradigmas?

Ai, mas o que vem a ser paradigma, afinal? Paradigmas, grosso modo, podem ser entendidos como exemplo, modelo, norma ou ainda regra que seguimos.
Dizemos-nos tão modernos, tão nobres, tão antenados com o século XXI, mas será que nos comportamos de forma condizente com o que pensamos?

Vamos refletir …
Quais os valores passamos aos nossos filhos? Sabe aquelas frases “brincadeira” que soltamos, por exemplo: “Prenda sua cabra que o meu bode está solto”, ou ainda “Saia vestida com essa saia curta e nunca vai arrumar um marido, está indecente!”. Pensemos ainda nos presentes que damos aos nossos filhos e filhas: para ela damos bonecas, panelinhas, ferros de passar roupas, liquidificadores, para eles damos sabre de luz pra salvar o mundo, patins, bicicletas, homens de ferro, super-heróis… Que mensagem passamos?

Aí escutamos: Marido espanca mulher até manda-la para o hospital. Motivo: traição. E escutamos, muitas vezes: “Mas foi trair o cara, gente?
Mereceu! Na hora de trair estava bom, né?” Como assim? Traiu, errou e merece apanhar? Foi isso mesmo que permitimos que fosse dito?
Vemos nas notícias dos jornais e telejornais trechos de uma carta que um ex-marido que matou a ex-mulher, filho, familiares e amigos da mesma, justificando seu ato, em virtude da separação, da guarda do filho, da lei Maria da Penha, mas em momento algum discute-se o teor desta carta, ela apenas nos é apresentada. Que mensagem fica?

Somos tão modernos, mas tão modernos e tão evoluídos que achamos horrível uma mulher acima do peso de biquíni na praia ou piscina…
nem notamos o homem barrigudo de sunga ao seu lado… somos evoluídos, mas dizemos: “Você soube que o filho da fulana, parece que é gay? Áh que judiação, né? Menino tão bonito” (?!)

Muitas vezes nos pegamos nas rodinhas de conversas escutando e nos calando (lembrando que quem cala, consente): “Áh, coitado do fulano, se separou. A mulher não queria saber de cozinhar, lavar, passar… Ele tinha que ajudar em tudo.” (detalhe: a mulher em questão trabalha 8h por dia em algum lugar também)…

Vamos começar um ano novo, revendo nossos paradigmas, nossos pré-conceitos, nossos julgamentos. Amemos mais! Busquemos o entendimento e a compreensão, antes do julgamento e da crítica e não aceitemos, de forma alguma qualquer tipo de agressão, sob quaisquer que forem os pretextos pra tal ato…Sempre é não justificável!

Queremos um ano melhor? E que tal sermos melhores para o ano o ser também?

“Uma criatividade que surge a partir de uma consciência desperta para criar um novo paradigma: um mundo novo.” Miriam Subirana

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