A água subiu rápido. O pânico tomou conta. Grazielle Feitosa, 24 anos, segurava o filho com toda a força enquanto via a correnteza arrastar tudo pela estação Jardim São Paulo-Ayrton Senna, na zona norte da capital paulista. Ela só queria sair dali com Samuel, mas foi encurralada pela enchente.
“Meu filho estava se afogando. Pulei na água e consegui puxá-lo pela alça da mochila, mas não tinha mais forças”, conta a jovem mãe.
Foi então que o soldado Alexandre Valério, do 9º Batalhão Metropolitano, apareceu no meio do caos. Sem hesitar, ele enfrentou a enxurrada para salvar os dois.
O momento do desespero
A chuva começou no fim da tarde, carregando tudo que encontrava pelo caminho. Quando Grazielle e Samuel desceram do trem, não tinham ideia do que os esperava. A saída da estação já estava inundada, e as pessoas tentavam se agarrar onde podiam.
Ela subiu com o filho em um corrimão e esperou por socorro. Um desconhecido se ofereceu para levar Samuel para um lugar seguro. Mas no caminho, o homem perdeu o equilíbrio e o menino caiu na água.
“Foi desesperador. Meu filho sumiu na correnteza. Pulei para tentar segurá-lo, bati as costas na catraca. Quando achei que não conseguiria mais, o policial apareceu e nos salvou.”
Samuel foi puxado pela mochila. Aos prantos, a mãe agarrou o filho nos braços, aliviada, mas ainda em choque.
“Minha única preocupação era que ninguém sumisse na água”
O soldado Valério estava a caminho do trabalho quando viu a chuva apertar e resolveu se abrigar na estação. Mas em poucos minutos, tudo se transformou num cenário de desastre.
“A água já estava na altura da cintura. Eu só pensava em ajudar quem estivesse ilhado. Minha única preocupação era garantir que ninguém ficasse submerso”, disse o policial.
E foi exatamente isso que ele fez. Entre gritos de socorro e objetos flutuando, Valério ajudou várias pessoas a se segurarem e enfrentou a força da correnteza para salvar mãe e filho.
Mas o resgate não parou ali. Outras vítimas ainda estavam presas na estação.
Mais resgates no meio da tempestade
Entre os ilhados estava Patrícia Souza, bancária de 32 anos. Desesperada, ela conseguiu avisar o marido, o cabo Eduardo Ribeiro, da PM, que correu para o local com os colegas Vinícius Galindo e Marco Antônio Araújo.
“Não tinha nenhuma chance de sair dali sem ajuda. Eu via pessoas sendo arrastadas e achei que seria a próxima. Algumas até se despediram pelo celular, achando que não iam sair vivas”, relatou Patrícia.
Com a água cada vez mais forte, os PMs enfrentaram caixotes e cadeiras que vinham da feira e do restaurante próximos. Mesmo atingidos, continuaram os salvamentos.
Cerca de 40 pessoas foram resgatadas – ninguém morreu
“Eu dizia para confiarem em nós, que tudo ia ficar bem. Quando vi minha esposa bem e salva, senti um alívio imenso. E isso só me deu mais forças para continuar.”, disse Ribeiro.
Os policiais conseguiram tirar cerca de 40 pessoas da estação e levá-las a um local seguro.
“Depois, muitas delas vieram nos agradecer. Foi um momento que me deu ainda mais orgulho de usar essa farda.”, completou Valério.
Alerta para novas enchentes
A Defesa Civil enviou alertas de chuva severa para os celulares da população paulistana. Foi a primeira vez que o sistema foi usado na cidade.
📌 O que fazer em caso de alagamento:
✔️ Nunca tente atravessar ruas alagadas.
✔️ Se estiver preso, procure um ponto alto e peça ajuda.
✔️ Mantenha distância de postes e árvores.
✔️ Em tempestades com raios, desligue aparelhos da tomada.
O episódio deixou um alerta: heróis existem, mas a prevenção é fundamental.
