Apesar de um déficit de 487 cargos de pesquisador científico na rede estadual de Saúde, o governo de São Paulo anunciou a abertura de concurso com apenas 11 vagas. Os dados foram levantados pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que critica a baixa reposição e os salários considerados defasados para a área.
Segundo a entidade, atualmente apenas 368 cargos estão ocupados, de um total de 855 previstos em lei. A falta de pessoal atinge diretamente institutos ligados à Secretaria Estadual da Saúde, como o Instituto Butantan, Instituto Adolfo Lutz, Instituto Pasteur, entre outros. Das 11 vagas do concurso, todas serão destinadas apenas ao Butantan.
A presidente da associação, Helena Dutra Lutgens, vê o cenário como um risco à capacidade de resposta do estado em temas estratégicos, como doenças tropicais e pandemias.
“Estamos diante de um processo de desmonte silencioso. A ciência paulista resiste, mas sem pesquisadores e laboratórios, não há como atender às demandas da população com qualidade”, declarou.
Salário inicial é de R$ 5 mil
O salário inicial previsto no concurso é de R$ 5.037,04, valor considerado abaixo da média nacional. A título de comparação, a Embrapa ofereceu R$ 12.814,61 para o mesmo cargo em seu concurso de 2024. A associação alega que a discrepância tem levado à “fuga de cérebros” do serviço público estadual.
Estudo da APqC aponta ainda que entre 2013 e 2025, a inflação acumulada foi de 92,68%, enquanto os salários da categoria cresceram apenas 20,68% no período.
Outros institutos seguem com vagas em aberto
Além da Saúde, os institutos de pesquisa ligados às pastas da Agricultura e do Meio Ambiente também enfrentam problemas semelhantes. Na Secretaria de Agricultura, 746 vagas seguem em aberto; na Semil, são 152. Ao todo, somando os cargos vagos de pesquisadores e de apoio técnico, o déficit ultrapassa oito mil postos.
Apesar do cenário, não há previsão de novas contratações para as outras unidades neste momento.
