A Terapia Comunitária Integrativa (TCI) tem se consolidado como uma prática de cuidado coletivo em São Paulo. Somente entre janeiro e setembro deste ano, foram realizadas 7.805 rodas de conversa em unidades de saúde espalhadas por todas as regiões da capital. Ao longo de 2024, esse número já chegou a 10.080 encontros, mostrando o crescente interesse da população por alternativas que priorizam o acolhimento, a escuta e a construção de redes de apoio.
Oferecida pela Prefeitura como uma das mais de 20 Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) disponíveis na rede pública, a TCI promove espaços horizontais, nos quais usuários e profissionais compartilham experiências sem hierarquias, respeitando o lugar de fala de cada pessoa. A metodologia está alinhada à Atenção Primária à Saúde (APS) e tem sido especialmente eficaz no cuidado com a saúde mental da população idosa.
Edifício Copan é referência em grupo terapêutico para idosos
Um dos exemplos mais marcantes da aplicação da TCI acontece no edifício Copan, no Centro da cidade. Desde abril de 2023, o grupo “Melhor Idade no Copan”, com 56 participantes acima de 60 anos, realiza encontros quinzenais coordenados pelo agente comunitário de saúde Edson do Nascimento Gomes. Os encontros são mais do que rodas de conversa: tornaram-se espaços de transformação social, afetiva e cultural.
Edson também estudou o impacto dessas atividades em seu trabalho de conclusão de curso em Terapia Ocupacional. Segundo ele, muitos idosos enfrentavam isolamento, agravado pela pandemia, e a TCI ajudou a reconstruir vínculos: “É bonito ver vizinhos que mal se falavam agora irem juntos ao médico, ao supermercado, aos exames. A TCI criou uma rede de afeto e confiança”, destaca.
Cultura, arte e afeto como ferramentas de cuidado
A metodologia da TCI parte de uma escuta coletiva. Após o acolhimento inicial, os participantes compartilham situações que os afetam. Em seguida, o grupo se debruça sobre o tema, discutindo questões como solidão, saúde mental, perdas e inseguranças relacionadas ao envelhecimento.
Com o tempo, as rodas no Copan também deram origem a atividades culturais e de lazer: oficinas de crochê, aulas de tango, passeios e sessões de cinema passaram a fazer parte da rotina do grupo. Comerciantes locais também apoiam a iniciativa — um café passou a sediar encontros semanais e a Galeria Pivô cedeu espaço para abrigar as reuniões.
A aposentada Juversina Franzin, 72 anos, moradora do prédio, relata como a TCI impactou sua vida: “Já ajudei vizinhos e também recebi muito apoio do grupo. Até assuntos difíceis, como Alzheimer, são tratados com acolhimento. Passei a me sentir mais segura para enfrentar situações que, sozinha, não saberia como lidar.”
