Cerca de 42,4 mil pessoas se reuniram neste domingo (21), na Avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra a chamada PEC da Blindagem e contra propostas de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. A manifestação, que também ocorreu em outras 32 cidades brasileiras, foi organizada por movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de esquerda e centro-esquerda.
A estimativa de público foi feita pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP). O ato teve início no vão livre do MASP e percorreu trechos da via com cartazes e faixas com dizeres como “Congresso inimigo do povo” e “Não à anistia”. Entre os pedidos, estava a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe, organização criminosa e outros crimes.
Ato reúne vozes diversas em defesa da democracia
Convocado pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligadas a movimentos como MTST, MST, UNE e CUT, o protesto contou com a presença de artistas, estudantes, lideranças indígenas, parlamentares e representantes de partidos como PT, PSOL, PCdoB, PDT e Rede.
Reginaldo Cordeiro de Santos Júnior, professor universitário de Serviço Social, viajou até São Paulo apenas para participar do ato. “Estamos na luta contra o retrocesso do que foi conquistado em 1988 com a Constituição. Precisamos expor o que está sendo tramado no Congresso”, afirmou.
A professora aposentada Miriam Abramo, de 75 anos, também esteve presente e relembrou os tempos da ditadura militar. “Eu votei para presidente pela primeira vez aos 40 anos. Não quero que a juventude de hoje espere tanto tempo para ter esse direito novamente”, declarou.
Famílias, estudantes e indígenas marcaram presença
O professor de artes marciais Renato Tambellini levou a filha de 12 anos para a manifestação. “Quero que ela entenda desde cedo a importância de se mobilizar. Estamos vivendo um momento histórico, e precisamos mostrar apoio à democracia nas ruas”, afirmou.
A indígena Tamikuã Txih, do povo Pataxó, reforçou que a luta é coletiva e que não aceitar a PEC da Blindagem é proteger o futuro do país. “É uma vergonha que o Congresso articule uma anistia para criminosos diante do povo. Isso precisa ser combatido com voz e presença nas ruas”, disse.
A PEC da Blindagem prevê que parlamentares só possam ser processados criminalmente com autorização prévia do Congresso Nacional, o que, para críticos, representa um ataque ao princípio da igualdade perante a lei e um incentivo à impunidade.


