A Enel Distribuição São Paulo decidiu não responder diretamente ao ofício enviado por um diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que pedia explicações sobre o apagão ocorrido no dia 22 de setembro de 2025, após fortes chuvas e ventos na capital paulista. A empresa alegou que o pedido não partiu da área competente da agência e afirmou que só irá se manifestar formalmente por meio da Superintendência de Fiscalização da Aneel.
Empresa contesta legitimidade de diretor da Aneel
Segundo apuração da rádio CBN, a Enel justificou que o diretor Fernando Mosna, responsável pelo pedido de informações, não teria legitimidade para solicitar diretamente os esclarecimentos sobre o evento climático. A distribuidora declarou que continuará respondendo exclusivamente aos trâmites formais conduzidos pela área técnica da Aneel.
O episódio gerou mais um impasse entre a companhia e a agência reguladora, que agora analisa internamente como proceder diante da recusa. A Aneel ainda não definiu um prazo para concluir a avaliação.
Demora no restabelecimento de energia gerou reclamações
O ofício ignorado pela Enel havia sido motivado pelas inúmeras reclamações de consumidores e autoridades sobre a demora no restabelecimento do fornecimento de energia em diversos bairros de São Paulo, após o temporal do dia 22. O episódio intensificou a crise de imagem da distribuidora, que já enfrenta críticas públicas do prefeito Ricardo Nunes e do governador Tarcísio de Freitas.
Tarcísio, inclusive, chegou a declarar que pretende “varrer a Enel de São Paulo”, enquanto o Ministério Público Federal também se posicionou contra a renovação antecipada do contrato da distribuidora.
Concessão em xeque e investigação em andamento
A Enel também está no centro de dois processos paralelos na Aneel: o primeiro apura possíveis infrações relacionadas aos apagões e o segundo trata da renovação antecipada do contrato de concessão, que vence em 2028. Apesar de um parecer técnico favorável à renovação, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou que a deliberação sobre o novo contrato está condicionada à conclusão da investigação sobre os serviços prestados pela empresa.
Feitosa explicou que ambos os processos estão interligados e que não há possibilidade de avançar na renovação enquanto persistirem dúvidas sobre falhas operacionais. O MPF também argumenta que um processo administrativo que pode levar à caducidade do contrato inviabiliza qualquer negociação de prorrogação.
Em resposta às críticas, a Enel afirmou que está investindo no fortalecimento do plano operacional, com a contratação de 1.200 novos colaboradores, ampliação da frota de geradores e intensificação das podas preventivas. A empresa reforça que tem cumprido todos os critérios exigidos para a renovação da concessão.


