A Corrida Internacional de São Silvestre alcança marcas históricas em sua centésima edição, realizada nesta quarta-feira (31), em São Paulo. Ao todo, 55 mil corredores, de 44 países, estão inscritos na prova, número recorde desde a criação do evento. Desse total, 47% são mulheres, o maior índice de participação feminina já registrado na tradicional corrida de rua brasileira.
O aumento expressivo de mulheres na São Silvestre foi celebrado por atletas brasileiras durante entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (30), na capital paulista. A corredora Núbia de Oliveira, melhor brasileira colocada na edição passada, destacou a importância histórica do momento e afirmou que o crescimento feminino na prova serve como motivação extra para a disputa.
Segundo ela, a presença das mulheres na São Silvestre carrega um simbolismo especial, já que a participação feminina só passou a ser permitida a partir de 1975. Núbia ressaltou que as conquistas das atletas ao longo dos anos ajudam a inspirar novas corredoras e ampliam o espaço das mulheres no esporte.
Corrida como superação e inspiração social
Outra atleta brasileira, Jeane dos Santos, também exaltou o papel da corrida de rua como ferramenta de transformação pessoal e social. Ela afirmou que participar da centésima edição da São Silvestre representa uma conquista pessoal e destacou que o esporte teve impacto direto em sua saúde mental.
Jeane contou que se tornou referência para outras mulheres em sua cidade natal, na Bahia, e recebe mensagens de pessoas que começaram a correr inspiradas por sua trajetória. Para ela, a corrida simboliza liberdade e fortalecimento feminino.
Desafio contra o domínio africano
Apesar do preparo, as atletas brasileiras reconhecem a dificuldade de quebrar o tabu de vitórias que dura desde 2006 no feminino. Desde 2016, corredoras quenianas têm dominado o lugar mais alto do pódio. Entre as favoritas está a queniana Cynthia Chemweno, vice-campeã no ano passado, além da tanzaniana Sisilia Ginoka Panga, que disputa a prova pela primeira vez no Brasil.
No masculino, o cenário é semelhante. A última vitória brasileira ocorreu em 2010, com Marilson Gomes dos Santos. Atletas nacionais apontam o trabalho coletivo dos africanos como um dos principais diferenciais competitivos. Para corredores como Johnatas Cruz e Wendell Jerônimo Souza, a falta de estratégias em grupo entre os brasileiros dificulta melhores resultados.
Prova encerra o calendário esportivo nacional
A largada da 100ª São Silvestre começou às 7h25, com a categoria Cadeirantes, seguida pelas elites feminina e masculina e demais pelotões. Desde 1991, o percurso oficial tem 15 quilômetros, com largada e chegada na Avenida Paulista, passando por pontos emblemáticos da cidade, como a Avenida Brigadeiro Luís Antônio.
A prova encerra o calendário esportivo brasileiro e reafirma seu papel como um dos maiores eventos esportivos da América Latina, agora marcada também pelo avanço histórico da participação feminina.

