Morte de aluna em viagem escolar: o que se sabe sobre o caso Victoria Mafra e a indenização de R$ 1 milhão

Victoria Mafra Natalini, estudante da Escola Waldorf Rudolf Steiner, morreu aos 17 anos durante viagem escolar no interior de São Paulo. Foto: Reprodução

A morte da estudante Victoria Mafra Natalini, ocorrida durante uma viagem escolar no interior de São Paulo, voltou ao debate após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) restabelecer uma indenização de R$ 1 milhão ao pai da jovem. O caso envolve falhas na supervisão da excursão, proibição do uso de celular e demora no início das buscas.

Quem era Victoria Mafra Natalini

Victoria Mafra Natalini tinha 17 anos e era aluna da Escola Waldorf Rudolf Steiner, instituição privada de ensino localizada na cidade de São Paulo. Ela cursava o equivalente ao 10º ano do ensino médio quando participou da excursão escolar que terminou de forma trágica.

Qual escola organizou a viagem

A viagem foi organizada pela Escola Waldorf Rudolf Steiner, responsável pela guarda, vigilância e segurança dos alunos durante toda a atividade extracurricular.

Proibição do uso de celular durante a excursão

De acordo com as apurações, os estudantes foram orientados a não levar telefones celulares para a viagem. A medida dificultou a comunicação no momento em que a aluna se afastou do grupo e não retornou.

Onde ocorreu a excursão escolar

A atividade pedagógica foi realizada em uma fazenda localizada na região de Jundiaí, no interior de São Paulo, utilizada para hospedagem e desenvolvimento das atividades curriculares.

Desaparecimento durante a tarde

Segundo os relatos, Victoria se afastou do grupo por volta das 14h30 para ir ao banheiro. O desaparecimento só foi percebido cerca de duas horas depois, quando um colega questionou a tutora sobre o paradeiro da estudante.

Falhas apontadas na supervisão da escola

O STJ apontou uma série de omissões por parte da instituição de ensino no acompanhamento dos alunos durante a excursão.

Demora no início das buscas

Mesmo após o alerta sobre o sumiço da aluna, as buscas iniciais se limitaram aos dormitórios da fazenda. O Corpo de Bombeiros só foi acionado no início da noite, por iniciativa de uma funcionária do local.

Corpo encontrado apenas no dia seguinte

O corpo de Victoria foi localizado apenas na manhã seguinte, após o pai da jovem acionar, por conta própria, um helicóptero da Polícia Militar. Ele mesmo realizou o reconhecimento.

O que apontou a perícia sobre a morte

O primeiro laudo pericial foi inconclusivo. Posteriormente, uma nova perícia realizada pelo Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo concluiu que a causa da morte foi asfixia mecânica. A investigação foi conduzida pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Apesar da conclusão pericial, o inquérito criminal foi arquivado anos depois sem a identificação de autores.

Decisão do STJ e indenização de R$ 1 milhão

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade, restabelecer a indenização de R$ 1 milhão por danos morais ao pai da estudante.

Por que o STJ aumentou o valor da indenização

O Tribunal de Justiça de São Paulo havia reduzido o valor para R$ 400 mil. Para o STJ, o montante era insuficiente diante da gravidade do caso e do sofrimento causado.

Capacidade financeira da escola

Pesou na decisão o fato de a escola possuir seguro contra danos extrapatrimoniais com cobertura superior a R$ 7 milhões, o que reforçou a proporcionalidade do valor fixado.

O que muda com essa decisão

A decisão reforça o entendimento de que instituições de ensino são responsáveis pela segurança dos alunos durante excursões, passeios e atividades fora do ambiente escolar, consolidando jurisprudência sobre o tema.

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